Folha do Amapá

Chico Bruno

A expiação de Renan continua

Na quarta-feira, 6 de maio, o Conselho de Ética do Senado, sob os olhares dos telespectadores da TV Senado, fez o que a maioria dos seus membros não queria, acatou a representação do PSOL contra o senador-presidente do Senado e do Congresso Nacional, o alagoano e peemedebista Renan Calheiros, que surgiu no mundo da política como um dos escudeiros colloridos do ex-presidente da República cassado e atualmente senador Fernando Collor (PTB-AL).

A pantomima estava pronta para acontecer, mas o democrata Demóstenes Torres (GO) e o pedetista Jefferson Peres (AM) interviram em nome do regimento e colocaram numa saia justa os áulicos de Renan, aos quais restou acatar as ponderações e aumentar a expiação do alagoano aos olhos da Nação.

Não é nada, não é nada não, mas já é alguma coisa, diante do que estava programado para acontecer, que era o desconhecimento da representação do PSOL. 

O suplente de senador-presidente Sibá Machado (PT-AC), presidente do Conselho de Ética, estava pronto para fazer o que foi programado pelos pares que se sentem obrigados a inocentar Renan. A maioria com o intuito de retribuir os agrados feitos pelo atual presidente do Senado. 

Infelizmente não deu para arquivar o pedido de investigação do PSOL, que ameaçou ir ao STF, o que levou o senador Demóstenes a usar essa pretensão como argumento para pedir, também, a abertura do processo contra Renan.

O presidente do Conselho afirmou que convidou para relatar a expiação de Renan o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que não estava presente a sessão. Cafeteira, é um antigo adversário de Sarney, que acabou se convertendo ao sarneysmo, cujo chefe faz dupla com Renan no relacionamento com o presidente Lula.

O suplente do senador Hélio Costa perguntou se Cafeteira havia aceitado o convite, ao que o suplente da senadora Marina Silva aquiesceu que sim. O senador Jefferson Peres sugeriu que o presidente do Conselho indicasse uma comissão de três senadores, um de cada partido, para analisar a representação contra Renan, uma outra alternativa fornecida pelo regulamento, mas o suplente de senador-presidente do Conselho de Ética fez ouvido de mercador e encerrou a sessão.

As denúncias contra Renan tão conta:

Que ele é o recordista em citações nas escutas telefônicas da Operação Navalha;

Que ele interviu junto ao presidente Lula para liberar R$ 70 milhões para a Gautama, dos quais R$ 30 milhões foram pagos pelo seu afilhado Adeilson Bezerra, ex-secretário do governo alagoano, indicado por ele para o cargo ao governador Teotônio Vilela Filho e preso na operação;

Que ele e sua família tiveram uma absurda evolução patrimonial em 8 anos, a ponto de seu irmão, o deputado Olavo Calheiros ter ficado 4.260% mais rico neste período;

Que ele e seu irmão são acusados no Ministério Público de Alagoas por supostas falcatruas na compra de fazendas, inclusive com a utilização de laranjas;

Que ele nos últimos anos recebeu ou comprou 4 concessões de radiodifusão em operações sem muita transparência;

Que ele pagou pensões à ex-amante sem que se tenha certeza da origem do dinheiro, que eram entregues a ela através de um lobista da empreiteira Mendes Junior;

Que ele, finalmente, participa de um suposto diálogo com a ex-amante que quebra o decoro parlamentar.

São sete pontos que precisam ser esclarecidos a Nação. Não se sabe se estão todos elencados na representação do PSOL, pois ela até agora permanece em sigilo.

Renan tem cinco sessões para apresentar sua defesa. Deve faze-lo o mais rápido possível para abreviar a expiação pública. Mas vale lembrar, que o único representante do PSOL, o senador José Nery vai apresentar um sem número de requerimentos para oitivas, sob a inspiração da ex-senadora Heloísa Helena, presidente nacional do partido.

Muita gente pensa que a festa da absolvição foi apenas adiada, mas o adiamento aumenta a expiação de Renan e aumenta as chances de aparecer um motorista, um caseiro ou uma secretária.

06 06 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

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