Folha do Amapá

Chico Bruno

A imprensa não trata o país com igualdade

O Brasil, segundo o jornalista Clóvis Rossi, é uma piada. Concordo com ele. Principalmente, quando o país se vê diante de alguns fatos graves, que são tratados com pieguice pela imprensa, como é o caso do vídeo de 1’25”, que faz parte de um joguinho virtual da Ambev e Editora Abril, no qual, pregam a internacionalização da Amazônia. 
A mídia, ao invés de tratar o assunto com a devida seriedade, o trata de maneira piegas, dando destaque ao mico pago pelo senador Arthur Virgílio, já que o vídeo é uma “brincadeira”. Infelizmente eles não conseguem enxergar que o vídeo é danoso à soberania nacional. Santa ignorância, pois não percebem que “as parceiras” Ambev e Editora Abril assumem a violação dos códigos civil, penal e da própria Constituição Federal. No entanto, a brincadeira dessas empresas pode ter o efeito de um bumerangue. "O uso da maior rede de comunicação do planeta para uma armação nutrida por evidentes interesses pouco subliminares põe a fabricante do guaraná Antarctica na lista do oportunismo e da rapinagem amazônica”, como alerta a Agência Amazônia de Notícias.

Outro assunto da mais alta relevância, a audiência pública na Câmara dos Deputados sobre a urna eletrônica, um orgulho nacional, que, segundo vários especialistas, tem 120 furos que permite a fraude eleitoral foi ignorado pela mídia, com raras exceções, como o jornalista Tales Faria que escreveu no JB: “Ou a sociedade encara esse problema de frente, ou logo teremos uma encrenca institucional do tamanho de um bonde, com alguma eleição presidencial sendo colocada sob suspeita.”

Mais grave, ainda, é o caso da saúde pública no Amapá, saqueada desde 2003, por uma quadrilha, instalada na máquina administrativa do governo estadual, composta por funcionários do alto escalão. A descoberta da Polícia Federal é estarrecedora, pois desvenda o mistério da morte de 70 pessoas entre janeiro e setembro de 2004 por falta de medicamentos e equipamentos nos hospitais públicos do Amapá. Esclarece, ainda, a denúncia do roubo 30 mil frascos de antibióticos e 5.000 caixas de antiinflamatório em 2006 na Central de Abastecimento Farmacêutico, assim como a morte de 12 crianças em menos de duas semanas, no mesmo ano.

Infelizmente, a grande imprensa, como exceção de O Globo e o Correio Braziliense, não deram espaço a Operação Antídoto, da PF. Até a Rede Globo, acostumada a acompanhar as operações da PF, se contentou em dar apenas uma nota sobre o assunto no seu principal telejornal.

Você que está lendo pode dizer, mas o assunto do dia é o Apagão Aéreo. Tudo bem. Mas existe espaço na mídia com matérias de menor importância do que os casos citados: vídeo da Ambev e Editora Abril, furos da urna eletrônica e o desmonte da saúde pública do Amapá.

O problema é que o país da piada pronta, como diz José Simão, na Folha de São Paulo, é elitista. Os casos citados dizem respeito à Amazônia, a Alagoas e ao Amapá.

No particular do caso do Amapá, os depoimentos não deixam dúvidas que o governador Waldez Góes (PDT) está encalacrado, pois o empresário Dilton Ferreira fez denúncias gravíssimas.

Em seu depoimento, ele afirma que seu ex-sócio na Globo Distribuidora, Nivaldo Aranha da Silva,

31 03 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

Comentários

Deixe seu comentário

”Liberdade de Informar“