Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá
Existem muitas cidades, pelo mundo e pelo Brasil afora, que se enfeitam por ocasião da festa de Corpus Christi. Jovens e adultos, grupos paroquiais, famílias, turmas de colégios, passam a noite anterior desenhando, pintando, jogando flores e espalhando pó-de-serra colorido pelas ruas onde irá passar a procissão.
É folclore, amor às tradições, ou fé?
Cabe, talvez, uma pequena explicação. Nós católicos celebramos a Santa Missa todos os domingos e até nos dias da semana. A Eucaristia é a fonte de toda a vida cristã e o ponto mais alto de toda celebração. Ainda, graças a Deus e à perseverança do povo, a maioria das nossas Igrejas está cheia. Entendemos, porém, que devemos cada vez mais atender melhor o nosso povo e prepará-lo, com uma adequada formação, para saber responder aos desafios e às ameaças à fé nos dias de hoje. Sempre surgem novas críticas, novos convites a desistir e alguns, às vezes, vacilam e caem. Daí o dever do batizado de alimentar-se com a Palavra de Deus e com a Eucaristia, para não definhar ao longo do caminho.
Um cristão deveria acolher, com alegria, o preceito da Igreja de participar da Missa aos domingos. É o Dia do Senhor, mas também é o dia da comunidade, da caridade, da família, do aprofundamento da fé.
Essas celebrações, encontros, momentos de louvor e de agradecimento, no entanto, acontecem dentro das nossas Igrejas ou dos nossos ambientes. Claro que deve ser assim, porque, excluindo os doentes, os que têm dificuldades ou os que têm compromissos inadiáveis, na Igreja vão somente os que querem participam, os que dão valor. Fazem-se presentes os que sabem encontrar tempo para essas coisas. Tudo isso o ano inteiro. Não é suficiente? Por que uma procissão? Por duas razões principais.
A primeira é que Jesus está presente na Eucaristia, mas também está presente no seu povo vivo, a caminho. A Eucaristia sem o povo de Deus seria uma presença para poucos iniciados e o povo de Deus sem a Eucaristia seria uma massa de pessoas sem compromisso, reunidas pelas emoções e não pela fé.
Levar Jesus-Eucaristia pelas ruas da cidade é tornar visível Jesus e os cristãos que acreditam na sua presença, que se comprometem a segui-lo pelos caminhos da vida. Essa é uma motivação tão importante para os católicos que eles querem dizer isso a todos os que encontrarem, acordando os acomodados e encorajando os envergonhados.
A outra razão está na própria fé, que não pode ser um fato simplesmente “particular” de um grupo de pessoas pequeno ou grande que seja. A procissão é para lembrar que Jesus deu a vida para todos, também para aqueles que lhe cuspiram no rosto e para aqueles que o crucificaram. Todos precisam conhecer Jesus, os amigos e os seguidores dEle. Não é manifestação de poder, mas é uma forma de lembrar a cada cristão e a cada cristã que deve levar Jesus na sua vida, no seu trabalho, na sua família, no seu laser. Cada cristão deve ser uma Eucaristia viva, isto é, uma vida doada por amor, um sacrifício renovador. Os indecisos deveriam tomar coragem.
Assim passa a procissão, entre cantos e orações. Alguns participam, outros só ficam olhando. Alguns se benzem, outros perguntam se é greve ou comício eleitoral. Ainda temos muito caminho a percorrer. Sim, mas sempre seguindo Jesus, ele está junto ao seu povo. Na Eucaristia e na vida.
| 04 06 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
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