Em maio de 2004 este jornalista que vos escreve, obteve informações relacionadas ao pacto cultural entre Brasil e França, consagrado na década de 90 através de articulação política do então governador João Alberto Capiberibe com o governo da Guiana Francesa, a partir da cooperação transfronteiriça entre Amapá e Guiana Francesa, iniciada em 1997, e fundamentada no Acordo-Quadro Franco-Brasileiro assinado pelos Presidentes do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e da França, Jacques Chirac, no dia 28 de maio de 1996.
Com o acordo, os presidentes dos Conselhos Regional e Geral da Guiana Francesa (Antoine Karam e Stéphan Phinera-Horth) e o governador João Alberto Capiberibe, assinaram a Declaração de Intenção Regional que prevê o ensino da Língua Portuguesa na Guiana Francesa e da Língua Francesa no Estado do Amapá. Além da educação, existiram propostas voltadas para as áreas de economia, saúde, cultura e meio ambiente.
O pacto, no âmbito da educação, funcionaria em quatro grandes eixos: formação pedagógica, intercâmbio de alunos e professores, intercâmbio técnico e criação de infra-estrutura. A Secretaria de Estado da Educação no Amapá criou no ano de 1997 a Gerência de Projetos Educacionais de Cooperação Internacional para coordenar essas ações.
A formação pedagógica é centrada na figura do professor que é habilitado através de uma parceria com as Universidades do Amapá, do Pará e das Antilhas. De 1997 a 2004 foram habilitados 94 professores (antes eram apenas 3 professores). Tais profissionais passam ainda por uma formação continuada.
O intercâmbio de alunos e professores objetiva proporcionar a imersão lingüística, cultural e metodológica entre os mesmos. No intercâmbio técnico há a troca de experiências e procedimentos entre técnicos dos diferentes níveis de ensino (ensino regular, educação profissionalizante e educação especial).
O quarto e último eixo diz respeito à infra-estrutura, como o Centro Estadual de Língua e Cultura Francesa Danielle Mitterrand, erguido no governo do PSB. Em maio de 2001, dez escolas da rede estadual de ensino do Amapá incluíram a Língua Francesa como disciplina em caráter experimental. Em 2004, este número subiu para quarenta e nove.
A gerente de apoio pedagógico aos projetos de cooperação da Secretaria de Estado da Educação, Suely Ferreira da Silva, me afirmou naquele ano que esse movimento caracteriza-se como uma questão geopolítica. “O desenvolvimento sustentável envolve o homem e toda sua complexidade. E dentro dessa complexidade está a questão da equidade social, da valorização da cultura. Tudo isso levou o Amapá a se abrir para a Guiana”, afirmou Suely.
Centro Estadual de Língua e Cultura Francesa Danielle Mitterrand é referência no ensino da Língua Francesa no Amapá.
O Centro foi criado em janeiro de 1999 através de uma iniciativa do Governo do Estado do Amapá, em função do Acordo de Cooperação Internacional, abrindo 60 vagas para um curso de capacitação de professores interessados em trabalhar no Centro, mas somente 20 deles continuaram até a formatura. O curso de Língua Francesa é gratuito e atendia no ano de 2004 a uma média de 1800 estudantes nos três turnos. Em 2007, segundo números do sítio do Governo do Estado, esta estatística cresceu para 3000 alunos, significando o sucesso da criação do Centro no governo anterior.
O material didático denominado Portes Ouvertes (Portas Abertas), começou a ser desenvolvido e idealizado em 2001 pelos professores do Danielle Mitterrand, por incentivo da Associação de Professores Franceses Aposentados sem Fronteiras (Groupement des Retraités Éducateurs Sans Frontières - GREF), para fazer com que os alunos amapaenses aprendam o francês dentro de sua realidade, sem deixar de lado a cultura e a civilização francesa.
As escolas do Estado trabalham esse método com a consultoria dos professores do Centro, que são tutores dos professores da rede estadual de ensino. A parceria com o GREF, começou por iniciativa da própria associação formada por professores aposentados que são voluntários e viajam pelo mundo orientando o ensino da Língua Francesa. Desde 2002, o GREF trabalha no Estado do Amapá a formação continuada dos professores da rede pública de ensino, que em grande parte não têm habilitação.
Em setembro de 2002, a revista Nova Escola, em seu sítio, destacou a importância do Centro Estadual de Língua e Cultura Francesa Danielle Mitterrand, afirmando que “Em Macapá, as escolas da rede pública ensinam Francês, por causa da proximidade com a Guiana Francesa, e os docentes recebem apoio do Centro de Língua Danielle Mitterand, que pertence ao governo do estado. O método chama-se Portas Abertas e o kit é composto de um livro para o aluno, um guia para o professor e uma fita cassete com diálogos criados pelos macapaenses e gravados em Paris. Os conteúdos são selecionados para atender a necessidade da população local de se comunicar com os visitantes do país vizinho”.
Atualmente, o governador Waldez Góes pretende mudar o nome da instituição, causando incômodo em um grupo de professores com os quais conversei, e que preferem não se identificar. “Infelizmente, o governador Waldez apenas muda o nome das instituições importantes para o aperfeiçoamento da sociedade criadas no governo passado, fazendo com que a população esqueça quem realmente se preocupou em
levar o ensino da língua francesa ás escolas públicas do Estado”.
Raul Mareco
| 03 05 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
Comentários
Eu queria parabenizar este conceituado meio de comunicação que por meio desta informa todas as noticias que vinvula neste estado sem privação ou lado partidario.O Centro de LIngua e Cultura Francesa é um centro de referencia não somente local, mais no Brasil todo e na europa também. Mudar o nome da instituição local não representaria uma forma de desrespeito mais sim o desmerito da instituição local que vem sendo gerenciada de forma dinamica e participativa, além de prejudicaria também os alunos formados que passaram por aquela instituição. Fui aluno e falo e escrevo fluentemente francês, oportunidade hora aquela que faziam seleção de alunos “mlhores notas” no ambito currilar eram escolhidos. Oportunidade esta que era unica e aproveitei a oportunidade e me aperfeiçoei na lingua francesa. A instituição faz jus o metodo da educação sim pois ensina de forma e com qualidade a lingua francesa.
entrei no ano de 1999 e formei apesar dos trancos e barrancos no ano de 2002 e continuo falando e aperfeiçoando a lingua que aprendi. No entanto,o desmericido tal gestor atual da maquina publica, não so tira o merito como tambem prejudicaria o diploma dos que já concluiram assim como ele faliu e nao prosseguiu com o conhecido CRDS ele fará a mesma coisa com CDLCFDM (centro de Lingua e cultura francesa Danielle Mitterrand)
Nõa concordo com a mudança do nome alem de que se trata de uma filantropica internacional que cuida dos interesses sociais.
Não poderia deixar de posicionar-me face ao sucateamento do projeto do ensino da língua e da cultura francesa no Amapá. Sou professor do Centro Danielle Mitterrand desde sua criação e, hoje, permaneço professor (por força de um parecer jurídico, pois fui devolvido no início deste ano arbitraria e ilegalmente). Lamento a situação de abandono. O Centro já funcionou com cerca de 30 professores, hoje funciona com uns 18, sendo que uns “protegidos” com carga horária abaixo da exigida por lei e uma professora “fantasma”, cuja freqüência é assinada em casa. As instalações elétricas apresentam perigo para alunos e funcionários; os aparelhos eletro-eletrônicos utilizados nas aulas, bem como as centrais de ar já ultrapassaram há muito sua vida útil. O Centro chegou a atender nos anos de 2001/2002, por meio de professores contratados via convênio (extinto neste governo) com a Associação de Professores de Francês do Amapá (APROFAP), cerca de 5000 alunos, descentralizados em núcleos situados no Curiaú, Perpétuo Socorro, Santana e Oiapoque. Enfim, poderia elencar mais umas dezenas de ações que foram abortadas desde 2003 e que causam grandes prejuízos à sociedade como os cursos especializados para comerciários, guias turísticos, garçons, hoteleiros, taxistas e outros… Parabenizo este jornalista e apenas retifico uma informação, o manual Portes Ouvertes foi idealizado a partir de dezembro de 1999, quando ocorreu a primeira missão da Associação de professores franceses aposentados. A iniciativa para a vinda desses professores foi do então diretor do Centro, em conjunto com a gestora do ex-CEFORH através de convite feito via ofício àquela associação. A documentação comprobatória, bem como o levantamento histórico do processo de Cooperação Transfronteiriça podem ser consultados na Dissertação de Mestrado dos professores Reginaldo Furtado e Maria Raimunda Costa Holanda LLorens.
Finalizando (mais uma vez): os professores do Centro Danielle Mitterrand que foram os idealizadores do Projeto do Espaço Cultural da Francofonia, querem saber o que será feito deste espaço construído ao lado do Centro Danielle Mitterrand sobre o qual não é dada nenhuma informação.
Mais uma coisa coisa… A informação do sítio do Governo de que em 2007 o número de alunos subiu para 3000 é uma mentira “deslavada e cabeluda”. Analisem comigo, o Centro Danielle Mitterrand possui 18 professores, alguns com carga horária incompleta ou sem carga horária. Cada professor efetivamente em sala possui no máximo 100 alunos. Nessa média teríamos entre 1500 a 1800 alunos (se chegar). A mentira tem pernas curtas!
A única coisa que tem mantido a qualidade do ensino é o boa vontade de um grupo de professores que, com profissionalismo, esforçam-se para seu aperfeiçoamento visando assim a melhoria da qualidade dos cursos oferecidos. Estes mesmos professores decidiram mudar (a partir de 2005) o manual adotado desde a criação do Centro (já caduco), mesmo sob protestos da atual direção e da gerente da Cooperação Internacional.