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As crianças e os meios de comunicação social

Dom Pedro José Conti, bispo diocesano de Macapá-AP

Quando querem, os pesquisadores capricham nas informações e nos assustam com notícias que nos obrigam a refletir. É assim que estamos conhecendo o tamanho do estrago que a poluição e o lixo estão produzindo no nosso planeta. Nunca o assunto ecologia foi tão debatido e apresentado com tantas cores alarmantes. Agradecemos a quem nos obriga a dar mais atenção à natureza e nos convida à responsabilidade.

Foi assim, também, que alguns anos atrás uns pesquisadores tiveram a paciência de contar a quantas cenas de violência, de assassinatos, de libertinagem sexual, etc. as nossas crianças assistiam, olhando tranqüilamente a televisão, vidradas na telinha. Perdi os números exatos daquela poluição visual, mas eram espantosos. Nem os desenhos animados dispensam mais cenas de violência, de explosões, de destruições, etc. Muito pelo contrário. Eu sou ainda do tempo do Tio Patinha e entendo pouco dos novos recursos tecnológicos introduzidos nestes desenhos e nos filmes de ficção com tantos monstros, seres-super-dotados, criaturas fruto da melhor, ou pior, fantasia humana. E nem quero falar das armas que eles têm nas mãos. Ninguém se salva, só os nossos heróis, evidentemente.

Disse tudo isso para convidar a acolher com atenção a mensagem que a Igreja Católica está difundindo por ocasião do 41º Dia Mundial das Comunicações e que tem como tema, oportunamente: “As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação”. O Papa Bento XVI nos convida a uma simples e coerente reflexão. Se queremos educar as crianças para um mundo melhor de paz e de fraternidade, devemos dar mais espaços a mensagens deste teor; devemos ter a capacidade de apresentar aos jovens o que é belo, bom e verdadeiro. Se apresentamos muito mais coisas violentas, mentiras, corrupção, enganos e desrespeito à vida, provavelmente esta será a visão do mundo e da sociedade que as novas gerações terão para o futuro.

É como dizer, com outras palavras, que se a maneira de olhar a vida é positiva, esperançosa e confiante, podemos acreditar que a busca do bem norteará a existência dos jovens. Se as crianças e os adolescentes já crescem no meio de agressões, na confusão dos valores, na discriminação, na impotência da justiça, o que será desta nossa sociedade? É um convite claro à responsabilidade dos pais, dos educadores e de quem determina os programas apresentados.

Os meios de comunicação hoje têm uma força muito grande, formam a opinião pública. Os seus donos sabem muito bem disso; além do possível lucro econômico, o interesse maior está no poder, direto ou indireto, que as notícias e a forma de apresentá-las, ou de silenciá-las, têm sobre os receptores delas. Se o público tivesse uma suficiente capacidade crítica, saberia distinguir aquilo que tem sentido daquilo que é marketing ou jogo de poder. Sabemos com quanta rapidez estrelas sobem e descem no céu ilusório da televisão. O brilho da fama é o que têm de mais provisório e volátil.

A questão, evidentemente, é a vulnerabilidade das crianças. Elas estão na fase maravilhosa do mundo encantado, das descobertas, porque tudo é novo para elas. Se ficarem tocadas pelo bem, pela alegria e pela paz, serão pessoas que sempre buscarão isso nas suas vidas. Se prevalecer a ganância, a esperteza, a violência, infelizmente, estes serão os critério de escolha e esta será a forma com a qual elas contribuirão com a sociedade. Os meios de comunicação tanto podem ser preciosos aliados na difícil obra da educação das novas gerações, como, irremediáveis inimigos. É uma responsabilidade muito grande, difícil, é verdade, mas não vamos perder a esperança.

01 06 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

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”Liberdade de Informar“