Folha do Amapá

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Carta aberta a Carlos Veloso

Ilmo. Sr.Carlos Veloso,

Ao iniciar a elaboração destas mal traçadas linhas me assaltou uma dúvida. Confesso que estou encontrando uma certa dificuldade em relação ao tratamento que devo dispensar-lhe. Pensei inicialmente em tratá-lo de excelência, logo me dei conta que não seria o caso. Lembrei-me, que tanto eu como você, já não correspondemos às qualificações exigidas para merecer tal distinção, em outras palavras, não somos mais excelências. É verdade também que perdemos a primazia do tratamento por razões muito diferentes. No seu caso, foi o epílogo de uma carreira bem sucedida, imagino sem maiores obstáculos, que incluiu a presidência da mais alta corte de justiça de nosso país. Você concluiu uma carreira de grande sucesso, cercado de direitos e garantias que raros brasileiros conseguem atingir, fecha seu ciclo produtivo gozando de privilégios reservados a poucos. Sai de cena perdendo apenas a primazia de ser distinguido com o tratamento de Vossa Excelência, porém passa a dispor de todo o seu tempo e claro, de uma generosa aposentadoria paga por todos os brasileiros. Já no meu caso, as turbulências são freqüentes em razão de minhas utopias, com momentos de alta tensão. Não seria nenhuma novidade falar-lhe que perdi o tratamento de excelência de forma abrupta, até mesmo inusitada, mais adiante entraremos no mérito. Perdi, além da primazia no tratamento, o mandato concedido pelo povo do Amapá. Devo dizer-lhe, que na minha obsessão no combate aos privilégios, eliminei uma vantagem pessoal, por considerá-la injusta, a aposentadoria de ex-governador.  Acrescentarei umas poucas palavras sobre nossa trajetória. Mesmo sendo uma carta pessoal, permita-me abordar esse assunto no plural, faço parte de uma geração que exagerou em sua generosidade, colocando a própria vida em risco na defesa de ideais de liberdade e justiça. A nossa maneira, certos ou equivocados, a verdade é que ousamos lutar por uma pátria mais justa e democrática. Em conseqüência, muita gente, dessa honrosa geração, amargou a dolorosa experiência da prisão, da tortura e do exílio. Com Janete, minha companheira de vida e de luta, enfrentamos aqueles tempos sombrios. Também juntos, na volta do exílio retornamos a militância e conquistamos vários mandatos eletivos, finalmente juntos tivemos também nossos mandatos abruptamente interrompidos. É hora de esclarecer as razões que me levam a escrever-lhe, afinal trilhamos caminhos tão diferentes que seria inimaginável um ponto de encontro, um cruzamento nessa trajetória, capaz de criar afinidades geradoras de diálogo e comunicação entre nós. Ocorre que optamos pela vida pública, você na função de magistrado e eu de militante político, eventualmente exercendo cargos eletivos. Foi por isso que, em momentos diferentes de nossa história individual, nossas vidas terminaram se cruzando.  Antes de esclarecer o que me leva a escrever-lhe, tomo a liberdade de incluí-lo entre os brasileiros chocados e indignados com os escândalos que finalmente, graças à ação competente de nossas forças policiais, estão sendo revelados a toda a sociedade. Quando tomei conhecimento do escândalo da semana passada, envolvendo o senador Joaquim Roriz em partilha de dinheiro, bateu-me a necessidade de me comunicar com você, para relembrar alguns fatos que remontam aos tempos de sua vida ativa como magistrado. Na última semana do mês de abril de 2004, você atuou como juiz do TSE, relatando dois processos. Em um, você conseguiu enxergar o que o Ministério Público Eleitoral e o TRE do Amapá, agindo com extremo rigor, não conseguiram enxergar: a compra de dois votos por R$ 26 cada. Acusação em nosso desfavor, sustentada por declaração em cartório de duas testemunhas analfabetas, que também declararam não nos conhecerem. Foi aí então, que você, atuando menos como juiz e mais como eloqüente advogado de acusação conseguiu convencer seus pares pela cassação do meu mandato de senador e o de deputada federal de minha companheira Janete. Ainda naquela semana de triste memória, no processo em que figurava como réu o então governador Joaquim Roriz, você atuando menos como juiz e mais como advogado de defesa, não conseguiu enxergar as provas documentais e testemunhais que o Ministério Público havia demonstrado nos autos, conseguindo dessa forma convencer seus pares da inocência do acusado. É sobre esses fatos, que já passaram à história, que gostaria de comentar com você. Veja bem, agentes políticos detentores de mandatos eletivos têm suas vidas permanentemente fiscalizadas pela opinião pública. Fatos de suas vidas são revelados, seja através da imprensa, seja por seus adversários políticos ou até mesmo, como tem ocorrido nos últimos tempos, por investigações policiais e judiciais. Assim sendo, considerando que você, como julgador de políticos, conhecia tanto eu como minha companheira e, com maior razão o então governador Roriz, que governava a cidade de seu domicílio, pergunto-lhe:  1 - Você sabia que o então governador e hoje Senador Joaquim Roriz, respondia e continua respondendo dezenas de processos criminais por improbidade administrativa? 2 - Você sabia que em relação a mim e a minha companheira Janete não existe um só processo criminal em nosso desfavor por improbidade administrativa? Finalmente concluo com mais duas questões:  1 - Você considera que sua decisão em cassar meu mandato e o de minha companheira Janete melhorou a vida política brasileira? 2 - Você considera que a sua decisão de inocentar Joaquim Roriz melhorou a vida política brasileira? 
Na esperança de uma pronta resposta subscrevo-me, atenciosamente,

João Alberto Capiberibe(ex-preso e ex-exilado político,foi prefeito de Macapá, governador do Amapá por dois mandatos, senador com mandato interrompido por decisão de Carlos Veloso, quando ministro do TSE)

02 08 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

Comentários

Que Deus tenha pena da alma de Carlos Veloso no dia de seu julgamento, que não será nos tribunais brasileiros, relatado e presidido por seus pares.Será julgado impassialmente, pois as provas contra ele foram produzidas durante sua vida.Espero que sua setença não venham cair sobre seus filhos ou seus netos,se asssim for,porém não desejo, que Deus tenha piedade dos mesmos.

Escrito por | 07/03 - 02:12 PM


Esse é o cara!

Escrito por | 07/03 - 04:12 PM


É chegada a hora da verdade vir a tona, o caso roriz revelará a serviço de quem pediram a cassação dos Capiberibes pois foram processos julgados na mesma época. No caso dos Capiberibes que já tinham sido julgados e absolvidos no seu estado origem (AMAPÁ) foram cassados num processo a serviço dos politicos que recorreram aos amigos de plantão, pois foi em nome de um partido o mesmo que agora está com a maioria de seus integrantes embuidos na tarefa de proteger o renanzinho, diga-se de passagem que foi o acionador da guilhotina que decolaram os mandatos de Janete e João Capiberiberibe,no caso Roriz ao inverso não foi um Partido e sim o Ministério Público com fartas provas de improbidade administrativa contra o hoje senador ex- governador Roriz, provas colhidas de maneira responsáveis depois de muitas investigações e mesmo assim o Ministério Público foi desacreditado e o hoje o Sr. Carlos Veloso relatou do processo Roriz na época em seu voto declarou inocência e que todas as provas eram apenas indícios mas o mesmo Sr. Carlos Veloso no Processo dos Capiberibes aceitou os argumentos de provas não do Ministério Público mas sim do Partido que pedia a cassação de Capi e Esposa e diga-se de passagem que tudo isso já fazia parte de um plano, o partido precisava da vaga de senador senão como seria resolvido o problema da única vaga para o senado da última campanha para senador pelo estado do Amapá, ai o então Sr. Carlos Veloso enxergou minuciosamente como prova a suposta compra de 2 votos por 26,00 reais cada, mas enfaticamente desconsiderou os milhões desviados dos cofres público do Distrito Federal gastos na campanha de Roriz e que agora começa vir a tona a verdade dos fatos.

Escrito por | 07/04 - 02:42 PM


O mal por sí se destrói. É só dar tempo ao tempo que a podridão que permeia um dia ira se liquefazer. Esse senhor irá pagar centímetro por centímetro como alguns já estão pagando, todas as maldades que fizeram com a casal Capiberibe. Eu quero estar bem vivo para assistir. E Deus quer que eu esteja.

Escrito por | 07/09 - 09:26 PM


Quem muito quer ...Muito perde…

Escrito por | 07/12 - 01:51 PM


Acho louvável a atitude do senador Capiberibe em levantar tais questões em um momento histórico do Brasil, o povo hora envergonha-se, hora toma pé dos reais fatos políticos/econômicos/jurídicos. Há uma verdadeira casta burocrática nas grandes côrtes deste País, distanciada do povo e principalmente de seus objetivos reais, mas muito próximo de políticos desonestos. Acho que é hora de vermos os verdadeiros nomes serem relacionados ao que realmente lhes dão origem. Políticos com história de luta popular não podem ser afastados de suas representatividades pelo voto legitimamente popular e devem Figurar sempre como Excelências Populares. Políticos desonestos que vendem a propria alma, em que a eles pesam proscessos de corrupção e que se sustentam pelas negociatas com os doutores de togas devem figurar com suas verdadeiras denominações: corruptos, desonestos, traidores e seus lugares devem ser o ostracismo. Parabens senador Capiberibe, pela sua fibra, coragem e legitimidade política.

Escrito por | 07/12 - 03:52 PM


Há espaço para uma discussão sobre ética, não anti-ética, que é algo que não existe; o que existe é imoralidade, pura e explicita. Atenção.

Escrito por Luc Araújo | 07/16 - 01:10 PM


Gostaria de levantar uma enquete, onde o foco principal é: Será que Magistrados da láia do Veloso recebem PROPINA para julgar processos falhos como esses citados acima??? SIM ou NÃO
Meu voto é SIM, recebeu muita grana para satisfazer a vontade do Senador SASA.

Escrito por | 07/16 - 09:44 PM


Capiberibes, não adianta chorar o leite derramado. Agora é dar a volta por cima e partir para uma nova luta. O povo do Amapá ainda tem muita consideração por vocês. Tanto isso é verdade que Janete e Camilo Capiberipe foram eleitos expressivamente nas últimas eleições. Somente deve repensar nos seus parceiros políticos e ter em mente que: “uma andorinha só não faz verão”. È preciso agregar forças e considerar as diferenças. Deste modo ainda será um grande nome para o governo deste Estado em 2010. Avante!

Escrito por | 07/17 - 05:39 PM


Para quem acompanhou o desenrolar dos processos que envolviam os Capiberibes sabe o quanto a população Amapaense ficou indignada e admirada com o poder do PMDB,pois sabemos a quem interessava tais cassassões,hoje vivenciamos um dos piores escândalos da politica Brasileira e então cadê o PMDB com seu discurso hipocrita e demagogo,pois somos sabedores que quem indicou Renan para a Presidência do Senado foi o Senador Sarney,pôxa até a Bahia se livrou de ACM,o Maranhão se livrou dos Sarneys por quê meu Deus nós amapaenses não nos livramos dessas celulas cancerígenas que temos no judioiario,no execitivo e no legislativo desse país…

Escrito por | 08/01 - 06:01 PM


Enquanto esse nosso judiciário for formado por membros ligados ao Senador Sarney sera complicado vermos imparcialidade e insenção nos julgamentos que ocorrem em nossa instância maior do judiciaciário brasileiro,ainda mais quando existem interesses explicitos como no caso dos Capiberibes,pois o PMDB queria e fez de um tudo para que a cassassão ocoresse,felismente nosso povo reconhece tudo que o PSB já fez pelo nosso lindo Amapá.Gostaria de ver hoje algum comentário do Sr. Carlos Veloso acerca do que está ocorrendo no Senado Federal no escândalo que envolve o Senador Renan que é do famigerado PMDB,queriamos saber se ele condenaria ou absorviria esse mascarado da política Alagoana.É triste termos que conviver com pessoas tão individualista e descompromissadas com o povo brasileiro.

Escrito por | 08/02 - 06:55 PM


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