Folha do Amapá

Chico Bruno

CPMI dos Correios: Tanto trabalho e nenhum resultado

A conclusão dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, presidida pelo senador Delcídio Amaral (PT-MS) e relatada pelo deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR) completou um ano de idade sem festa e sem presentes.

A CPMI dos Correios presenteou a sociedade com descobertas importantes. A principal, a origem dos recursos do valerioduto que abasteceu o mensalão, um esquema de compra de votos de parlamentares pelo Executivo. Graças a ela, foram enviados pela PGR ao STF processos judiciais contra 40 pessoas.

E daí? E daí nada. Continua tudo com d’antes no quartel de Abrantes. Os três parlamentares cassados pela Câmara dos Deputados andam por aí, dois (Roberto Jefferson e José Dirceu) ditam regras em blogs e se divertem em viagens pelo país. Um cantando ópera e o outro palestrando. O terceiro (Pedro Corrêa), elegeu a filha com as sobras de votos do Clodovil e conduz uma máquina partidária sedenta por boquinhas para mamarem nas tetas.

Os parlamentares que renunciaram e alguns indiciados pela PGR estão de volta ao Parlamento, graças à generosidade dos eleitores de alguns grotões brasileiros, que adoram uma ressaca de quatro anos. Uns masoquistas.

O primeiro aniversário da CPMI dos Correios é frustrante, pois até agora ninguém está vendo o sol raiar quadrado ou virou, pelo menos, réu. A maioria dos órgãos envolvidos, notificados pelo Congresso Nacional, não adotou providências para sanar as irregularidades comprovadas pela CPMI dos Correios e nem se dignaram a responder as indagações da CPMI, estão todos se lixando para as conclusões, incluídos no rol o presidente Lula e nove ministros, entre eles Dilma Rousseff, da Casa Civil, Tarso Genro, das Relações Institucionais, agora aboletado no ministério da Justiça, Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência da República e Waldir Pires, da Defesa.

Pasmem, o próprio Parlamento não aprovou nenhum dos projetos encaminhados pela CPMI.

Os dirigentes da CPMI dos Correios bem que tentam ver o trabalho reconhecido.

Neste esforço, encaminharam ao presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), pedido para que ele acione os órgãos envolvidos e obtenha as respostas pertinentes às descobertas e recomendações da CPMI, mas infelizmente para o país, Renan tem postergado essa ação extrema, pois causaria constrangimentos ao presidente Lula, um dos que, ainda, não se dignou a responder as indagações da CPMI.

O mais grave é que o Procurador-Geral da República, Antônio Fernando de Souza, antes mesmo do encerramento da CPMI, denunciou ao Supremo Tribunal Federal 40 pessoas, que estariam envolvidas no mensalão acusados de integrarem uma "organização criminosa".

Entre os denunciados, figuras ilustres, como José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoíno, Silvio Pereira, Delúbio Soares, Marcos Valério e o marqueteiro presidencial Duda Mendonça. Infelizmente, o ministro relator da denúncia no STF, Joaquim Barbosa, declara que, ainda, precisa de pelo menos dois anos para concluir a análise da denúncia.

Isso quer dizer, que, talvez, em 2008 se saiba, se ele acata ou não a solicitação da PGR para transformar a denúncia em uma ação penal.

Resumo da ópera. Tanto trabalho, nenhum resultado prático e conseqüentemente nenhuma comemoração pelo transcurso do primeiro aniversário de conclusão da CPMI dos Correios.

Isso é o Brasil, o país do faz de conta.

31 03 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

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