O réu e presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros, foi à luta na quarta-feira, 27, e fez um movimento ousado em sua defesa. Foi ao Palácio do Planalto e comunicou ao presidente Lula que poderia implodir o PMDB que o apóia, se o governo e o PT do Senado continuassem a fervê-lo em banho Maria.
A ameaça do réu surtiu efeito. Na noite da quarta-feira, com a ajuda do PT, o réu Renan elegeu um membro de sua tropa de choque para presidir o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador Leomar Quintanilha.
Na quinta-feira, pela manhã, na cerimônia de reposse do procurador-geral da República, Antônio Fernando, o presidente Lula saiu em defesa de Renan, com uma declaração velada, na qual afirmou:
“É preciso fazer uma boa, sensata e madura investigação doa a quem doer e ter a consciência de que dos 190 milhões de brasileiros, do mais humilde que vive no anonimato ao presidente da República, todos têm que ter a chance de provar a inocência antes de ser condenado”.
Já a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi além das palavras do presidente e fez uma defesa explícita de Renan Calheiros. Escorou-se, inclusive, na comparação com a ditadura militar (1964-1985), quando os direitos individuais e políticos foram cerceados.
“Nós que somos da velha geração de resistência à ditadura sabemos perfeitamente o que significa o respeito aos direitos individuais da pessoa humana: direito à defesa, direito de ser igual perante a lei e ao fato de que ninguém é culpado até se provar que é culpado”, disse a jornalistas e acrescentou: “Ele (Renan) é inocente, essa é a presunção”.
O ministro da Justiça engrossando o coro em defesa do réu Renan foi mais longe e disse com todos os efes e eres, característicos dos gaúchos:
“O que eu quero é que Renan seja inocente”.
O réu Renan ficou tão satisfeito, que ousou um tapinha nas costas do presidente Lula em sinal de agradecimento.
Enquanto isso, no Senado, depois de marchas e contra-marchas, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) aceitava o convite de Quintanilha para exercer o cargo de relator do processo contra o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
O senador Casagrande, frisou porém, que não aceitaria pressões da tropa de choque de Renan, para arquivar o processo e que aprofundaria as investigações contra Renan.
Renan e sua tropa de choque não gostaram do que ouviram do senador capixaba e imediatamente tomaram a decisão de mandar Quintanilha desconvidar Casagrande, o que foi feito por telefone, com a alegação que “havia pensado melhor e decidido esperar um pouco”
Estupefato, o senador Renato Casagrande reagiu declarando que “isso está passando dos limites, porque é fundamental que possamos ter um encaminhamento deste processo. As renúncias dos relatores e a indefinição do nome, mesmo quando um senador aceita, deixam para a sociedade um sentimento de total fragilidade do Senado"
Depois de tudo o que foi narrado só nos resta recitar o poema “Finado Senado”, de autoria do pernambucano Bruno Bezerra:
Triste fim do Finado Senado
No papel do descarado
Insolente e desavergonhado
Triste fim do Finado Senado
Estrelando o gangrenado
Arrogante e mal-intencionado
Triste fim do Finado Senado
Fingindo-se de coitado
Sendo falaz e mascarado
Triste fim do Finado Senado
Vivenciando o desonrado
Ímprobo e empenado
Triste fim do Finado Senado
Na pele do depravado
Corrompido e desmoralizado
Triste fim do Finado Senado
Incorporando o desmascarado
Sem moral e avacalhado
Triste fim do Finado Senado
Vivendo um desencarnado
De alma vendida… ao diabo.
| 28 06 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
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