A operação "Amarelou Renan” começou com uma reunião entre o ministro das Relações Institucionais Mares Guia, o presidente do PMDB Michel Temer (PMDB-SP) e o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Múcio Monteiro (PTB-PE), quando o representante do Executivo fez um apelo, falando em nome do presidente Lula, aos dois deputados para convencer Renan a não comparecer a sessão do Congresso Nacional que votaria a LDO.
Em seguida, Temer e Múcio conversaram com Renan e transmitiram as preocupações do presidente Lula e o aconselharam a ficar longe da sessão.
Renan, que havia batido boca com Arthur Virgílio demonstrando que teria "aquilo roxo”, foi sensível ao apelo e decidiu ficar longe da sessão do Congresso.
Renan amarelou e demonstrou que o “aquilo roxo” dele só vale para o Senado, para Câmara dos Deputados o “aquilo dele” é cor-de-rosa.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), evitou o constrangimento de receber cartões vermelhos em plenário caso insistisse em presidir a sessão do Congresso Nacional que votou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Deputados de oposição, encabeçados por Fernando Gabeira (PV-RJ) confeccionaram 100 cartões para serem distribuídos no plenário e mostrados a Renan. O cartão vermelho é usado para expulsar um jogador que comete uma infração grave num jogo de futebol.
Com a certeza que Renan havia amarelado, o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), procuraram os deputados Chico Alencar (PSol-RJ) e Fernando Gabeira (PV-RJ) para pediram que o protesto não fosse realizado, haja vista, que Renan não iria presidir a sessão.
Gabeira e Alencar concordaram.
"Não usarei a ausência dele para tripudiar. Não pretendo atrapalhar a votação da LDO”, disse Gabeira.
“O Renan não ocupa tanto nossa vida assim, não”, afirmou Alencar.
Este episódio demonstra que Renan está isolado. Sua tropa de choque está reduzida aos senadores Wellington Salgado (PMDB-MG) e Almeida Lima (PMDB-SE), este, um dos três relatores do processo contra o alagoano no Conselho de Ética, tem feito das tripas coração para tumultuar os trabalhos, a ponto de criar constrangimentos no plenário do Senado, exigindo que a Mesa Diretora acabasse com uma reunião de trabalho do presidente e dos relatores do Conselho, alegando que eles feriam o regimento da Casa. Um desastre, pois isso aumenta a rejeição dos senadores a Renan.
Até o senador Gilvam Borges (PMDB-AP), pau mandado do senador José Sarney (PMDB-AP), já arrefeceu seus discursos conspiratórios em defesa de Renan Calheiros.
Em face da grave crise causada, agora, muito mais pelo cinismo de Renan Calheiros, do que pelos delitos que possa ter cometido, só resta aos senadores entoar em coro: “Larga o osso, Renan!”
Afinal, isso expressa o sentimento de uma parcela significativa da opinião pública brasileira, que não agüenta mais a insistência de Renan em não querer largar o osso.
| 12 07 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
Comentários
Existe classe mais dissimulada do que a classe política? No início muitos apoiaram e tentaram proteger o senador Renan de uma cassação. Hoje, com o peso da mídia tornando sua situação cada vez mais insustentável, são poucos os que o apoiam, pelo menos de maneira explícita, com medo de “queimar o filme”. A população deveria ficar de olho e punir nas urnas não só os que faltam com o decoro parlamentar, mas também os que tentam jogar o lixo para baixo do tapete. Afinal, “dize-me com quem andas que te direi quem és” e “um jumento se coça no outro”.
É muito cinismo do Presidente do Senado Renan Calheiros, não ter renunciado. Ele deu uma aula de como fraudar a Receita Federal e a Secretaria de Fazenda de Alagoas. Se ele fosse um cidadão comum, seria indiciado por falsidade ideológica e formação de quadrilha.