Estamos vivendo tempos estranhos no país. O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, sai em defesa contundente de Renan Calheiros com a premissa de que estão fazendo um linchamento público do alagoano. Vaias de quase cem mil espectadores são consideradas orquestradas. O governador do Paraná, Roberto Requião, revolve o baú para defender Renan Calheiros, tentando colocar na roda o ex-presidente Fernando Henrique afirmando que ele também tem um filho fora do casamento e por aí vão os tempos estranhos. Um verdadeiro samba do crioulo doido.
Tão estranhos, que acontecem coisas imperceptíveis, como a movimentação do senador José Sarney, que se move à sombra do Congresso Nacional, na tentativa de salvar o parceiro Renan Calheiros. Segundo O Globo, Sarney esteve ao lado de Renan em todos os momentos. Foi ele quem escalou o primeiro relator Epitácio Cafeteira (PTB-MA), para arquivar o processo por quebra de decoro contra Renan no Conselho de Ética. E destacou o senador Gilvam Borges (PMDB-AP) para a tropa de choque do alagoano.
Realmente faz sentido, pois Cafeteira, um antigo adversário de Sarney, é hoje um fiel aliado do ex-presidente, disposto a fazer tudo o que seu mestre mandar, inclusive pagar um mico gigante.
O outro indicado de Sarney, para se enfileirar na tropa de choque de Renan, é um ex-adversário, hoje um pau mandado do maranhense eleito senador pelo Amapá.
Vale lembrar, que Gilvam Borges, antes de tomar posse no mandato de senador no lugar de João Capiberibe, era assessor do gabinete do senador Renan Calheiros, atendendo a um pedido de Sarney, daí a pressa do alagoano em expurgar Capiberibe, sem que fosse exercido o direito constitucional de defesa do socialista, que queria ser investigado pelos pares do Senado.
Capiberibe queria que o Senado ouvisse as duas testemunhas que o acusavam da compra de dois votos por R$ 26.
O ex-senador lutava, naquele momento, contra uma grande armação e enxergava na oitiva das duas testemunhas a possibilidade de provar a sua inocência.
As testemunhas que acusavam Capiberibe e sua mulher Janete nunca foram ouvidas em interrogatório, pois o MPE desconsiderou a denúncia de compra de votos, pois não identificou que Capiberibe e Janete tivessem cometido crime, daí o TRE do Amapá absolve-los.
Durante a tramitação do recurso interposto no TSE e posteriormente no STF, as testemunhas, também não foram interrogadas e a imprensa nunca se interessou pelo caso, ao contrário do que ocorre agora com Renan.
As testemunhas do caso Capi são misteriosas, seus depoimentos foram escritos pela acusação e registrados num cartório de Macapá e serviram de base para a denúncia de compra de votos. Depois disso, elas sumiram. Dizem, em Macapá, que elas vivem as custas do senador Gilvam Borges em local ignorado.
Por isso, até hoje, esse episódio continua mal contado, sem o devido esclarecimento, pois as testemunhas são como a “Conceição”, do cancioneiro popular, ninguém sabe, ninguém viu.
Por isso, para reavivar a memória da política nacional, o ex-senador João Capiberibe está divulgando uma carta aberta ao senador Renan Calheiros com o intuito de, finalmente, conseguir que algum jornalista se interesse pelo assunto e tente descobrir se essas testemunhas existem ou não.
| 17 07 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
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