Folha do Amapá

Chico Bruno

“O Congresso não pode mergulhar mais na lama do que já mergulhou.”

A frase que escolhi para título deste artigo, foi proferida, nesta quarta-feira, pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), em aparte ao renunciante Sibá Machado, e espelha tudo o que já escrevi sobre o Renangate. 

Pois, nesta quarta-feira, finalmente, chegou ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do enlameado Senado os 5 Cds, contendo diálogos entre Mônica Veloso e Cláudio Gontijo e entre ela e Renan Calheiros. São os mesmo vazados pela revista ISTOÉ, edição 1962, de 6 de junho, e que foram desconsiderados por toda a imprensa, com exceção deste escriba, que apesar de não saber a origem das escutas, sempre considerou peça importante para elucidar o Renangate.

Os CDs ganharam a maternidade de Mônica Veloso e o perito Aidano Faria atestou o DNA. Com a origem determinada, o Jornal Nacional vazou um trecho. Antes o Jornal da Band, tratou os CDs como fonte de uma chantagem contra Renan.

Como o assunto está fedendo há semanas, o conteúdo dos CDs pode servir como desinfetante para limpar a fossa asséptica que transborda lama por todas as dependências do Senado, como afirma o senador Jarbas Vasconcelos.

O trecho apresentado pelo Jornal Nacional indica, que Gontijo era quem abastecia o caixa de Renan para fazer frente aos gastos com a gestante Mônica e não o contrário como afirma Renan.

Agora, os diálogos passam ser parte integrante do processo que continua à espera de investigação, no qual só constavam documentos de defesa de Renan, que como um bumerangue, se voltaram contra ele, pois existem indícios de que algumas notas fiscais são calçadas e que a boiada é virtual.

O processo se arrasta em doses homeopáticas, pois é claramente manobrado pelo réu, que continua usando para isso a presidência do Senado, da qual não se licencia justamente para usa-la. O caso é tão escabroso, que dois relatores e um presidente já renunciaram, tudo engendrado por Renan, que aposta que postergando o processo se beneficia.

Agora, foi eleito um novo presidente do Conselho, o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), integrante da tropa de choque de Renan, haja vista, que o anterior, Sibá Machado, havia saído do controle do réu.

É triste ver o PMDB, abrir mão de parlamentares sem macula, como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, em troca de Gilvam Borges e Wellington Salgado. O objetivo de Quintanilha, um ex-presidente da Arena de Goiás, é salvar Renan.

Quintanilha derrotou por nove votos contra seis o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), o que dá uma falsa impressão de credibilidade a eleição.

O senador de Tocantins indicou Renato Casagrande (PSB-ES) para o cargo vago de relator do processo, um senador de primeiro mandato, que vem defendendo a necessidade de aprofundar as investigações. Se mantiver sua posição, Casagrande honrará o grande de seu sobrenome, caso contrário será incorporado à tropa de choque de Renan.

Apenas como dica, aconselho o senador-relator a ouvir esse trecho de um dos CDs, que serão entregues a ele pelo corregedor Romeu Tuma:

Mônica – Só posso te dizer que toda vez que você entrar no gabinete você vai lembrar que você tem um filho que você fez lá.
Renan – Você é louca!
Mônica – Eu não sou louca. Somos loucos, então. Se tem alguém que é louco somos nós dois.

Se o relator ouvir e for sério, está concluído o processo, pois este singelo diálogo atesta que o senador Renan Calheiros quebrou o decoro parlamentar.

28 06 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

Comentários

Deixe seu comentário

”Liberdade de Informar“