Em 1975 fixei residência em Salvador. Vim trabalhar na Editora Abril, a convite do diretor da sucursal o jornalista Juracy Costa e estou aqui até hoje. Sou um “baioca”, cruzamento de baiano com carioca, muito bem adaptado à vida da Boa Terra, apesar de nos últimos anos ir pouco as badalações de Salvador, pois escolhi morar a 30 quilômetros do “burburinho” soteropolitano.
Uma sábia decisão, haja vista, que há dois anos e meio Salvador está entregue as traças.
Mas, o quero é contar uma historinha, que vivi, na qual ACM foi personagem.
Em 1990, coordenei o programa de rádio da campanha ao governo da Bahia do candidato Roberto Santos, que perdeu a eleição para ACM por apenas 0,32% de diferença. Uma campanha violenta, com peças publicitárias agressivas.
Na época, uma tragédia vitimou dezenas pessoas, envenenadas por uma aguardente estocada em tonéis, que haviam sido utilizados na armazenagem de metanol.
Em vista disso, criei um “teaser” que dizia: “ACM, aguardente com metanol, a ressaca que pode durar quatro anos.”
A peça era tão agressiva, que correligionários de ACM ligaram para o professor Roberto Santos pedindo a retirada do “teaser” da campanha, o que foi feito imediatamente.
Dois anos depois, recebo uma ligação da Propeg, agência que atendia ao governo de ACM, me convidando para ser um dos coordenadores do rádio e TV de uma campanha eleitoral para prefeito de um correligionário de ACM, em Itabuna, no sul da Bahia.
No primeiro contato com a agência ouvi o recado. O Cabeça Branca, como ele era chamado pelos mais próximos, deseja que Ubaldo Dantas, que liderava as pesquisas com mais de 70% de intenção de votos, não ganhe a eleição, não importando quem ganhe. Intrigado, quis saber os motivos da aversão de ACM. Fui aconselhado a esquecer o assunto e nunca mas quis saber, aliás não sei até hoje.
Como a grana era muito boa topei a parada e dividi a missão com o jornalista Sérgio Gomes e uma equipe de mais de cinqüenta profissionais recrutados entre os melhores da Bahia.
Um ala da TV Santa Cruz, pertencente à Rede Bahia, afiliada da Globo, foi isolada e transformou-se no quartel-general da campanha. O investimento para derrotar Ubaldo foi alto. As principais peças da campanha foram às novelas “Onde Ubaldo mora”, >“Onde Ubaldo trabalha” e “Onde Ubaldo dá aula”, estreladas pelo ator Ricardo Ozzi, que vivia o personagem Dique Traça, uma paródia ao policial Dick Tracy. As peças publicitárias caíram no gosto popular e minaram o favoritismo da candidatura de Ubaldo. As novelas tornaram-se uma coqueluche na cidade.
ACM acompanhou a campanha. Assistia aos capítulos das novelas, cujas fitas eram enviados diariamente de avião para a agência em Salvador. Nos três comícios da campanha que participou, se divertia, ao ouvir um sonoro não da platéia a pergunta: “Vocês sabem onde Ubaldo mora?”
Cumprimos a estranha missão. Ubaldo ficou em terceiro lugar. Oduque, o candidato para o qual eu trabalhei, ficou em segundo lugar e Geraldo Simões ganhou a eleição. Aliás, Simões foi o primeiro prefeito eleito pelo PT na Bahia, se elegendo graças à ajuda do impichamento do presidente Fernando Collor.
Muitos anos depois, em Brasília, cruzo com o senador a caminho do plenário do Senado, o cumprimento e ele pergunta: “Você sabe onde Ubaldo mora?”
| 22 07 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
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