Folha do Amapá

Chico Bruno

O que importa mais: vidas ou a economia?

Tenho me perguntado o que é mais importante: vidas ou a economia? Por que este é o xis da questão, exposta agora com a tragédia anunciada de Congonhas, que não é a primeira.

Aliás, minha memória e trouxe à tona o ano de 1963, ano do Pan em São Paulo, e a infeliz coincidência, de que naquele ano, durante o evento, aconteceu um acidente aéreo com uma aeronave da Cruzeiro do Sul, no mesmo Congonhas.

A tragédia com o Airbus da TAM, põe em xeque, mais uma vez, a segurança no Aeroporto de Congonhas, cercado de prédios comerciais e residenciais por todos os lados, com duas pistas curtas, inadequadas e que dão um frio na barriga de quem decola ou aterrissa nele.

O governo federal é o responsável pelo sistema de aviação civil e faz, ao meu ver, investimentos equivocados.

Vamos ao exemplo mais recente e gritante. Todo o investimento feito para ampliar e reformar o Terminal de Passageiros e as duas pistas de Congonhas deveriam ter sido utilizados na ampliação do Aeroporto de Cumbica. Era uma atitude mais lógica e sensata.

Esse equívoco já induz para o governo federal a culpa pela tragédia com a aeronave da TAM.

Faz nove meses, que o caos está instalado na aviação civil brasileira e o governo federal não consegue desatar o nó, por que não faz claramente uma opção entre vidas e a economia.

Para a economia, a manutenção de Congonhas fala mais alto, o que deixa exposta ao risco milhares de vidas, pois o acidente de Congonhas poderia ter proporções de um 11 de setembro, bastando para tanto, que o Airbus se chocasse com um dos grandes prédios vizinhos ao prédio da TAM Express.

Infelizmente, a mídia está perseguindo uma explicação para a tragédia. Não está projetando que as proporções do acidente poderiam ter sido muito maiores e ao invés de estarmos lamentando a perda de centenas, poderíamos estar chorando a morte de milhares de vidas.

É isso que precisa ser levado em conta pelo governo federal. 

Enoja ver a área técnica da Infraero induzindo a opinião pública, com a exibição de um vídeo, querendo culpar os dois comandantes do Airbus, que não podem se defender pois estão mortos. A Infraero não faz isso publicamente, mas induz com a divulgação do vídeo. Um vídeo que precisava ser analisado por técnicos, antes de ser divulgado, pois ele pode ter a sua velocidade alterada. Quem trabalha com vídeo sabe do que estou falando.

Ao invés de divulgar açodadamente o tal vídeo, a Infraero deveria explicar por que não interditou o aeroporto, haja vista, que no primeiro dia de chuva, após a pista recém-reformada ter sido liberada para pousos e decolagens, sem a vistoria do IPT, um avião da Pantanal derrapou.

Aliás, segundo a própria Infraero, a pista foi liberada por ser julho mês de férias e, portanto, de bastante movimento nos aeroportos, numa comprovação do privilégio a economia, em detrimento a segurança dos usuários e dos moradores que cercam Congonhas por todos os lados.

O problema é que Anac, ao contrário do antigo DAC, faz o que as empresas aéreas determinam. A Infraero se preocupa em aumentar o seu faturamento com os aeroshoppings, que é como eles denominam agora os terminais de passageiros.

Já a Aeronáutica, é impotente para conter os devaneios da Infraero e da Anac e não consegue melhorar em nada a segurança de vôo no país e finalmente o ministério da Defesa, a rainha da Inglaterra de todo o problema, pois serve apenas de figuração.

Este samba do crioulo doido é regido por um presidente da República, que privilegia a política de coalizão, distribuindo cargos estratégicos da Infraero e da Anac a políticos aliados, gente sem nenhuma competência técnica, ao invés de privilegiar vidas.

Tudo isso demonstra que quem manda no espaço aéreo nacional é a economia e não a preocupação com vidas.

Quantas vidas mais serão perdidas para que o governo se digne a resolver questão?

Enquanto isso, as autoridades federais se escondem. Ninguém se dignou a desembarcar em Congonhas durante o episódio. O presidente da República, que gosta tanto de discursar, está mudo até agora. Nem uma palavra, nem ao menos se dirigiu a Congonhas, como em tragédias semelhantes fizeram os presidentes Bush, Chirac, Zapateiro e outros.

Ao invés de uma palavra de consolo, do gesto simbólico da presença física em solidariedade às vítimas, o presidente Lula preferiu se dirigir a uma clínica para retirar um tersol que o incomodava.

Aliás, depois das declarações debochadas de Pires, Marta e Mantega sobre o caos aéreo, já devíamos estar acostumados com a reação leniente do chefe deles, o presidente Lula, pois para ele e seus auxiliares a economia vale mais do que vidas. 

19 07 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

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