Folha do Amapá

Chico Bruno

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão...

O senador Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso Nacional, terceiro na linha de sucessão do presidente da República, não pretende se licenciar da presidência do Senado e, muito menos, renunciar ao mandato, mas a partir da semana que vem vai enfrentar uma série de constrangimentos.

Vale a pena recapitular os erros de Renan na condução de sua defesa.

1 - Acusado de usar recursos de uma empreiteira para resolver pendências extraconjugais, expôs publicamente da cadeira da presidência do Senado o caso com a amante, ao invés de responder diretamente a denúncia;

2 - Como a pantomima não vingou, tentou usar o "patrimônio rural" do clã dos Calheiros para justificar os recursos utilizados para resolver a pendência extraconjugal e aí expôs as mazelas de frágeis declarações de renda;

3 - Restou a tentativa de arquivar a representação do PSol, no Conselho de Ética, o mais rápido possível. Para tanto, seu partido abriu mão de senadores com passado limpo e impôs uma tropa de choque composta de senadores com o rabo preso para assumir o Conselho, enquanto o aliado PT indicava um humilde e fiel suplente de senador, como ele próprio se classifica, para a presidência, com o objetivo de ser manobrado por Renan;

4 - Infelizmente para Renan, a tropa de choque colocou os pés pelas mãos no afã de inocentá-lo. Como um potente trator tentou esmagar a minoria do Conselho.

Por obra e graça da mídia os componentes da tropa de choque de Renan estão caindo um a um. O primeiro a cair foi o senador Epitáfio Cafeteira, o segundo Wellington Salgado, o terceiro Sibá Machado e o próximo deverá ser Leomar Quintanilha, pois nenhum resiste aos famosos 5 minutos de fama.

Sobraram Gilvam Borges, Valdir Raupp e Romero Jucá, que já estão com as barbas de molho, pois têm o rabo preso em processos judiciais que estão dormindo em gavetas do Judiciário, como estava o de Leomar. 

As manobras da desastrada tropa de choque acabaram por provocar o DEM e o PSDB a reagir, para não serem tragados pela lama, que exala uma fedentina insuportável no Senado, como afirmou o senador Jarbas Vasconcelos no plenário, fitando olho no olho o réu Renan.

Para atrapalhar mais ainda o processo, seu correligionário Joaquim Roriz foi flagrado repartindo outro butim.

Renan torce para que a imprensa e o PSol, continuem a não considerar o trecho de um dos 5 CDs gravados pela gestante, que ele próprio vazou para mídia como prova de que estava sendo chantageado.

O trecho é aquele, já exaustivamente divulgado neste site, que levanta a suspeita que ele usou o seu gabinete para fornicar.

Não tivesse errado tanto, talvez Renan já estivesse absolvido, como desejam o presidente Lula e os ministros Dilma Rousseff e Tarso Genro, pois sem Renan cairão em mãos de lideranças do PMDB em quem não confiam. 

O grande erro de Renan é a tropa de choque que o acompanha. Ela é frágil eticamente e não resiste ao apelo da canção: "Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão..."

02 07 2007 Save in De.li.cious Diga!Você

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