Por Dulcivânia Freitas*
Relato um fato que aconteceu comigo, mas que tem uma dimensão coletiva. Nesta segunda-feira, 4 de junho, não fui trabalhar porque não tenho água em casa sequer para escovar os dentes e tomar um banho, mesmo que fosse de caneco. Faço este comunicado para que todos saibam desde meus chefes, demais colegas de trabalho e clientes em geral da empresa onde trabalho - que minha ausência não é voluntária, mas provocada por uma situação ultrajante que está fora do meu alcance de solução.
Esta situação não é nova e acabou obrigando progressivamente meus vizinhos e milhares de outras famílias em Macapá, de outros bairros, a tomarem uma atitude individualista, que é mandar fazer poços. Certamente em pouco tempo tomarei esta providência também, assim que conseguir juntar o dinheiro suficiente para pagar pelo serviço. Mas as milhares de pessoa que não têm nem como fazer um planejamento desse, como é que ficam?
Alguém pode dizer: ah, mas por que não pede água a um vizinho? Claro que eu poderia novamente fazer isso e tenho certeza absoluta que conseguiria água suficiente para a higiene pessoal e também para atender todas as necessidades de uma casa. A questão é que este problema é permanente, onde eu moro (Conjunto Embrapa) a água da Caesa só chega certo mesmo de madrugada e, eventualmente, ao meio-dia (durante duas horas, no máximo).
Há período que não chegam nem de madrugada, como aconteceu nesta segunda-feira. Por isso refleti que não é tão somente a solidariedade dos amigos (também bem-vinda) que devemos buscar, mas sim reclamar publicamente por uma solução de infra-estrutura para que eu e todos tenhamos atendido nosso direito básico de termos água em casa. Afinal pagamos por isso de forma direta, por meio da fatura mensal que jamais falta. Não quero nem informar meu endereço, porque o que é correto é uma solução (não aceito discurso pronto) de infra-estrutura para a cidade e não para um caso em particular.
p.s.: Dos cinco números de telefone da Caesa que encontrei na lista telefônica, três atendem com a seguinte mensagem: "Este telefone não está recebendo chamadas" . Os outros dois respondem com a mensagem "Não foi possível completar sua chamada". Fiz seis tentativas para cada número.
* Jornalista residente em Macapá
| 06 06 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
Comentários
Na verdade, no conjunto da Embrapa, não falta somente água… Somos carentes de tudo. Sinceramente, não sei o que o prefeito e o governador têm contra este Conjunto. Vivemos entregue às baratas, à lama, à dengue, aos rato e às cobras...O governo estadual asfaltou até ponte para se reeleger, mas esqueceu o Conjunto da Embrapa. Eu gostaria de entender tanta crueldade com a gente, pois a situação está insuportável. Quem achar que estou exagerando, por favor passe por lá e comprove com seus próprios olhos. Que Deus nos proteja dos políticos míopes....
Sinceramente, eu gostaria de saber o que nossas autoridades têm contra o Conjunto da Embrapa. Na verdade, não falta somente água… Somos carentes de tudo. Estamos há muito tempo entregue às baratas, à dengue, às cobras, à sorte… Na saída do conjunto, por exemplo, toda semana morre uma pessoa, e o DETRAN, não coloca, ao menos, um redutor de velocidade. O nosso governador, na disputa pela reeleição asfaltou até ponte, mas ficamos a ver navios… Que Deus nos proteja de governantes míopes, pois vivemos entre mansões, lixo e lama…
Moro na área ao lado da Embrapa desde 1992, e vi como evoluiu este bairro.... as ruas mais esburacadas, mato avançando as casas, lama, ratos, doenças (malária e dengue). Faço comparações com outros bairros que surgiram a pouco e tem ruas asfaltadas, coleta de lixo, e outras coisas, e me vem a pergunta - será que estamos tão invisíveis ou os olhares desses governantes tornaram-se insensíveis? Certamente aqui não mora eleitores que enchem seus egos de votos…
Se na capital do Estado, já acontece situações como essas do Conjunto Embrapa. Imaginem o que acontece em municípios como Vitória do Jari, em que as pessoas (um número expressivo) para beber água, precisam armazenar em caixa, carotes, baldes etc., já que não é regular o atendimento com água potável. Agora, água pra higiene pessoal, lavagem de roupas, louças etc., tem que ser do rio Jari e, então, é só olhar o resultado desse procedimento no hospital (amebíase, doenças de pele, infecções intestinais, verminoses etc..). Dessa forma, é preciso que as autoridades competentes tomem providência, não pode continuar do jeito que está.
A agua encanada e tratada do nosso estado, chegando a nao ser tao tratada assim, é pouco encanada, esta expondo os amapaenses a situaçoes constragedoras, como faltar ao trabalho por falta de agua para ao menos lavar o rosto, tambem nem pensar em preparar e comer peixe no almoço porque provavelmente não vai ter agua para lavar as mãos, é um absurdo...Água, agora, só com hora marcada!!!
Já ouvi comentários que aqui (me refiro a todo o estado), a água não ocupa dois lugares diferentes...rsrsrs...é preciso rir para não chorar.
Bom dia a todos, esse problema de abastecimento de água é um problema que vem atormentando muitas familias aqui no estado do amapá, mas isso acontece porque as pessoas usam água clandestina,não pagam suas contas de água, etc…
Agora pergunto a voçês, como a CAESA vai investir pra solucionar esses problemas???? porque sem dinheiro não tem condicões! No governo passado era a mesma merda!
Justamente Paulo!
Ainda bem que você reconhece que a admistração atual é mesmo uma excrecência.
E não adianta colocar a culpa no povo não, isso é coisa de incompetente.