Ando meio ressaqueado de escrever sobre Renan, Roriz, Quintanilha, entre outros políticos “pecuaristas”. Vou dar um tempo nos escândalos e enveredar por uma curiosidade que assola meu juízo há muito tempo:
Será, que as autoridades públicas do país tem noção do que representa a cadeia produtiva do acarajé? Do queijo de coalho? Da castanha de caju? Do caranguejo?
Essas são algumas unanimidades gastronômicas das regiões Norte/Nordeste. Há anos procuro nos alfarrábios governamentais, trabalhos que respondam a estas indagações. Infelizmente não os encontrei até agora.
O acarajé é um bolinho de massa de feijão fradinho que é consumido em toda a Região Metropolitana de Salvador. São milhares de baianas, que ocupam as calçadas com seus tabuleiros vendendo o delicioso quitute. O acarajé é fonte de sustento e de ascensão social de milhares de famílias.
Ao saber que Cira, uma das mais famosas baianas de acarajé de Salvador, teve sua residência assaltada por um bando de oito marmanjos que lhe roubaram jóias, carros e R$ 30 mil em dinheiro vivo, voltou-me novamente a curiosidade de saber o que representa a cadeia produtiva do acarajé na economia baiana.
Não deve ser pouco o pirão, pois as imagens da casa de Cira, exibidas pelas emissoras de televisão são de uma moradia de classe média alta. Além disso, ficou-se sabendo, que Cira abastece seus pontos de venda em Itapuã, Rio Vermelho e Estrada do Coco com o auxílio de um caminhão baú. O assalto revelou, também, que Cira tem uma bela fazenda nas margens da BR-324, que liga Salvador a Feira de Santana.
Assim como Cira, existem Regina, Dinha e outras baianas de acarajé milionárias, mas não se tem até hoje um estudo do que representa economicamente o saboroso bolinho degustado com camarão seco, pimenta vatapá e molho vinagrete.
A curiosidade se estende a castanha do caju, que move a economia informal do litoral do Nordeste. São milhares de vendedores que ocupam as belas praias da região. A cidade sergipana de Itabaiana é hoje o maior centro distribuidor de castanha do caju do Nordeste. São milhares de famílias que sobrevivem da venda de castanha de caju para o mercado informal. Na falta de local para armazenar tanta castanha, as famílias de Itabaiana usam salas e quartos de suas casas para estocar o produto proveniente de todos os estados nordestinos.
Outro fenômeno visível da economia informal é o exército de vendedores de espetinho de queijo coalho que tomaram conta do litoral do Nordeste e que neste verão se tornaram o “must” das praias cariocas. Alguém tem noção do que representam estes produtos na economia nordestina?
Se alguém souber por favor me responda, estou atrás desta informação há muitos anos.
E o caranguejo que é consumido do Amapá ao sul da Bahia. Alguém sabe como funciona esta cadeia produtiva, quanto gera de riqueza? Só para se ter uma pequena idéia, cada barraca de praia do litoral da RMS vende por fim de semana uma média de seiscentos caranguejos. Em alguns bares, como a Cabana da Celi, em Lauro de Freitas, é vendida uma média diária de mil caranguejos. Infelizmente as autoridades nunca se preocuparam em saber o que isso representa na economia das regiões Norte/Nordeste.
Para se ter uma idéia da importância do caranguejo sirvo outro exemplo. Em 2005/2006 apareceu um fungo, que vitimou os caranguejos do litoral baiano. Para satisfazer o desejo de seus clientes e o faturamento, os bares e barraqueiros da RMS importaram, via aérea, caranguejos do Pará. Este exemplo demonstra a importância do crustáceo na economia.
O acarajé, o queijo coalho, o caranguejo e a castanha do caju são produtos genuinamente nacionais, que poderiam com uma política pública eficiente e competente ser o sustento e o avanço social de milhares de brasileiros excluídos.
Para tanto, basta vontade política, uma tão pranteada expressão presente nos discursos e o entendimento que isso é desenvolvimento sustentável, pois são grandes geradores de emprego, renda e riqueza.
| 05 07 2007 | Save in De.li.cious | Diga!Você |
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